Em 1929, quatro nomes e uma instituição financeira (MERCADO ACIONÁRIO), chamaram a atenção dos holofotes.
Depois da guerra, 1918, as reservas mundiais de ouro, tinham uma distribuição desequilibrada. Em sua grande maioria atraída para os Estados Unidos, pois este era o fornecedor de material bélico.
Alemanha depois da 1ª guerra mundial (INFLAÇÃO).
A Alemanha saiu tão prejudicada da sua própria guerra que a inflação, chegou a um nível nunca antes visto.
Um observador escreveu: “Em toda a história, nenhum cachorro correu atrás do próprio rabo na velocidade do Reichsbank. O descrédito ao que os alemães lançam sua própria moeda aumenta mais rápido que o volume de cédulas em circulação. O efeito é maior que a causa. O rabo corre mais que o cachorro”. O trabalho de manter o fornecimento de cédulas tornou-se uma operação logística monumental, envolvendo “133 tipografias com 1.783 máquinas (...) e mais de 30 fábricas de papel”. Em 1923, a inflação tinha adquirido força própria, criando um apetite cada vez maior por moeda do Reichsbank, mesmo convocado tipografias particulares, não conseguiu satisfazer. Num país já inundado de papel, havia reclamação de falta de dinheiro até mesmo por parte das municipalidades, de modo que cidades e empresas privadas começaram a imprimir suas próprias cédulas. Durante os meses seguintes, a Alemanha viveu a maior deteriorização de valor monetário da história. Em agosto de 1923, um dólar valia 620 mil marcos e, no início de novembro de 1923, 630 bilhões. Artigos de primeira necessidade estavam agora na casa dos bilhões- um quilo de manteiga custava 250 bilhões de marcos; um quilo de bacon, 180 bilhões; uma simples passagem de bonde em Berlim, que custava um marco antes da guerra, agora estava fixada em 15 bilhões. Embora houvesse notas de valores nominais superiores a 100 bilhões, era preciso uma pilha de dinheiro para pagar o que quer que fosse. O país nadava em cédulas, que eram transportadas em bolsas, carrinhos de mão, balaios, cestos de roupa e carrinhos de bebê.
O problema não se aos números extraordinários, mas se estendia a rapidez vertiginosa com que os preços subiam. Nas três últimas semanas de outubro, eles se multiplicaram por 10 mil, dobrando em poucos dias. No tempo que se levava para tomar uma xícara de café em Berlim o preço podia dobrar. O dinheiro recebido no início da semana perdia nove décimos de seu poder de compra ao fim dela.
Perdeu o sentido falar do preço do que quer que fosse, porque os números mudavam depressa demais. A vida econômica tornou-se uma corrida. Os trabalhadores, que antes eram pagos semanalmente, agora recebiam todos os dias grandes pilhas de cédulas. Todas as manhãs, saíam da tipografia do Reichsbank e iam de fábrica em fábrica, na qual alguém subia para lançar grandes maços de notas a acabrunhada multidão de trabalhadores, que tinham então meia hora para sair correndo e comprar alguma coisa antes que o dinheiro perdesse o valor. Nas lojas, agarravam praticamente qualquer coisa para depois permuta-la por gêneros de primeira necessidade nos mercados de trocas que tinham brotado por toda cidade.
Ter de calcular e recalcular preços da ordem do bilhão e do trilhão tornava quase impossível qualquer tipo de cálculo comercial razoável. Os médicos alemães chegaram a diagnosticar uma estranha doença que grassava no país e que foi chamada de “ataque de cifras”. Como disse o New York Times, suas vítimas eram aparentemente normais em todos os aspectos, a não ser “a compulsão de escrever intermináveis colunas de números e se lançar a cálculos mais complicados do que os mais difíceis problemas logarítmicos”. Pessoas sensatas diziam quer tinham 10 bilhões de anos de idade, ou 40 trilhões de filhos. Ao que parece, caixas, contadores e banqueiros eram mais propensos a esse estranho mal. Quem realmente lucrou com isso foram os especuladores. Comprando, na bacia das almas, joias, quadros, mobília e outros bens da classe média necessitada de dinheiro vivo (isso é ganhar dinheiro fácil, ser inteligente).
Quando a guerra acabou, Hjalmar Schacht era apenas um banqueiro mais ou menos bem-sucedido, ainda que não especialmente notável ou rico. Foram as oportunidades trazidas pela inflação que fariam dele um homem rico e poderoso.
Schacht posteriormente foi o responsável pela recuperação da Alemanha, com seu “Plano Dawes”...




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